Modernizando a rede de 42 prédios, um rack por vez
Como uma parceria informal virou um projeto real de infraestrutura Cisco Meraki em escala, levando cabeamento estruturado e gestão de rede em nuvem para dezenas de edificações no Rio Grande do Sul.
A aventura que topei sem ainda ter a escala
No final de 2020, um amigo que já prestava serviços técnicos para a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias recebeu a demanda de modernizar a infraestrutura de rede em dezenas de capelas no Rio Grande do Sul. Ele tinha o contrato e a relação com a organização — mas não o conhecimento de redes necessário para o que estava sendo pedido.
Foi aí que entrei. Topei a parceria não só pela oportunidade em si, mas porque era a chance de me permitir uma experiência prática de uma magnitude que eu ainda não tinha tido: planejar e executar uma modernização de rede completa, em múltiplos sites, com hardware corporativo de verdade.
O escopo: do cabo de cobre à nuvem
Em cada uma das 42 edificações, o trabalho seguia o mesmo roteiro de ponta a ponta. Primeiro, perfilávamos toda a edificação — entendendo a planta, os pontos de rede existentes, e o que precisaria ser refeito. Na prática, isso significava quase sempre substituir completamente o cabeamento pelo padrão CAT6, já que a infraestrutura anterior em praticamente nenhum caso estava em condição adequada para suportar os novos equipamentos.
Em paralelo, os racks de cada capela eram remontados ou reorganizados — muitas vezes do zero. Uma prática que mantivemos de forma consistente em todos os sites, mesmo sem termos identificado um problema concreto de antemão, foi separar fisicamente os cabos de rede dos cabos de energia dentro do rack e na passagem pelas paredes, como boa prática preventiva contra interferência eletromagnética.
O hardware: três peças do ecossistema Meraki
A infraestrutura de rede ativa de cada capela era composta por três modelos Cisco Meraki, cada um com uma função clara dentro da topologia:
| Equipamento | Modelo | Função |
|---|---|---|
| Firewall | Meraki MX64 | Borda de rede, segurança e roteamento |
| Switch | Meraki MS120-8FP | Switching PoE gerenciável, com módulos SFP |
| Access Point | Meraki MR36 | Wi-Fi 802.11ac |
Instalávamos, ligávamos, e fazíamos a ativação de cada equipamento através de um portal de comissionamento fornecido pela própria organização — vinculando cada aparelho ao sistema de gestão centralizado. Depois de ativos, testávamos as funcionalidades de cada site antes de considerar o trabalho concluído ali.
Essa foi minha primeira experiência prática com gerenciamento de rede centralizado em nuvem — um modelo bem diferente da administração local de equipamento por equipamento, e que se tornaria uma referência direta anos depois, ao desenhar a topologia de rede da minha própria infraestrutura, o UltimateLab.
Dois meses, dezenas de sites, uma dupla
Entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021, percorremos cidades diferentes no Rio Grande do Sul para atender as 42 edificações — só os dois de nós, dividindo entre cabeamento, montagem física de racks e ativação dos equipamentos em cada capela.
Não havia uma equipe de suporte por trás, nem um departamento de TI local em cada site para repassar a tarefa. Era avaliar a estrutura existente, decidir o que precisava ser refeito, executar a instalação física, e comissionar os equipamentos remotamente via portal — tudo isso replicado, com pequenas variações, quarenta e duas vezes.
O que essa experiência deixou
Esse projeto aconteceu antes da maior parte da minha trajetória formal em TI, e foi pouco divulgado até agora — mas é provavelmente a experiência que mais se aproxima, em escala e responsabilidade, do tipo de trabalho de infraestrutura que busco hoje profissionalmente. Não foi um laboratório pessoal ou um exercício de portfólio: foi rede corporativa real, com hardware enterprise, gestão em nuvem, e prazo de execução de verdade.
O trabalho foi reconhecido e elogiado, em conversas diretas, pelos gestores e responsáveis pela contratação e pela infraestrutura dos locais — um retorno que veio de quem efetivamente supervisionava o resultado entregue em cada site, e não apenas da nossa própria avaliação do serviço.
A combinação de trabalho físico de cabeamento e rack com gestão centralizada na nuvem (dashboard Meraki) é, até hoje, um padrão mental que carrego para outros projetos — incluindo a forma como penso a administração remota e centralizada da minha própria infraestrutura de homelab.